Outro escrito de alguns anos atrás..
Ando meio nostálgica. Ciclo mudando, pele, cheiro, texturas, cidades mudando..
Esse poema é de 2005.
Mundo frágil
De isopor e creolina
Figurado pela transparência
de um objeto que oculta a liquidez de sua origem
as fibras chegam a ranger os dentes que espetam.
as bolhas são destruídas
a violência do bico de um beija – flor
seca a pele de couro da rachadura
sem vestir nem viver
Vazão.
Haste da vantagem de se desprender
a condição inicial de conviver
a síncope da traição.
Reverência ao inconstituível.
Sem lugar e sem controle
A vida cresce na seringueira movediça
Atolada na lama do ressentimento
Do ideal inalcançável de beleza
De humildade
E ignorância
Vingativo
Vulnerável
Insuportável
Irresistível
Crueldade realista
Ou se move pelo desejo
Ou se é movido por ele.
Difícil distinguir:
realidade e fantasia
diabo satânico e pura humanidade
verdade e agressividade
a cor do céu quando se está apaixonada.
Sem vestir nem viver
Esconder seria uma arte
Não se importar
Se fechar para o mundo e suas idiossincrasias alienantes
Dividir o indivisível
Costurar os cacos de compaixão
De auto-estima
E sorrir
A tristeza não é uma forma de egoísmo!
Simplesmente vai e vem como os pés no chão
Que precisam se mover com seus movimentos inconscientes
Pra PODER andar.
E onde estão os pés?!
Embolados em uma borracha com tecido.
Ou acrílico, madeira, ferro, isopor...
Se esconder seria uma arte!?
Pois o sapato seria uma solução!
ELO
Escancarar
ver e enxergar
sem colocá-lo na divinição
O amarelo sai do céu
ResponderExcluire corre ao vento
outono dentro
tarde cinza
toda azaléia
arde em Rosa
meio-dia
dormem ao sol
menino e melancias
folha seca
sobre o travesseiro
acorda borboleta
varal vazio
um só fio
lua ao meio
(Alice Ruiz)