04 novembro 2009

Pra lá e pra cá?


Dezembro nem chegou e eu já ganhei um baita presente de natal >> Valeu, Helton, por ter colocado meu filhinho na rede!!
"Pra lá e pra cá?" foi feito em parceria com a Isabela Souto, em 2007, como projeto de conclusão do curso de Jornalismo - UFMS. Um suor que valeu a pena. Foi quando tive a oportunidade de chegar bem pertinho do caos e sentir os calafrios criativos de uma criação narrativa em mosaico.
É o meu orgulho até hoje, porque uniu elementos que me movem: a significação a partir do corpo inseridas na cotidianidade em forma de produto que pode difundir esse jeito de se ver a realidade e promover discussões sobre representações que norteiam milhares de atitudes, maneiras de ser e sentir.
Esse filho já aprontou poucas e boas em ambientes educacionais (e também no processo de elaboração e reelaboração >> encontros, desencontros, histórias pra contar). Que venham mais discussões!
O "elenco" é composto por crianças e adolescentes na época estudantes da OSCIP de arte-transformação social Casa de Ensaio (www.casadeensaio.org.br) e por especialistas nos estudos de relações de gênero, propondo diálogos entre o discurso científico e cotidiano.
A orientação foi do paciente, experiente e articulador Edson Silva, com grande ajuda e incentivo da professora Márcia Gomes, que sempre me inspira com sua sede por pesquisas aprofundadas e valorização das narrativas ficcionais, que hibridizam realidade, pois que em constante ressignificação pelo público e autores >> sem contar a simpática Daniela Auad, que me acolheu em minhas idas a São Paulo e que me inspirou por sua obra "educar meninas e meninos: relações de gênero na escola", por tratar de um tema complexo em uma linguagem acessível, sem deixá-lo, por isso, mais simplista. [[[puxa, não dá pra não falar da Lenira Rengel, que provocou surtos criativos com suas elaborações de teorias do procedimento metafórico do corpo, que relaciona movimento com processos cognitivos; e a professora Ana Maria Gomes, antiga lutadora das causas feministas, que em suas aulas de movimentos sociais e relações de gênero deixava aquele gostinho de indignação, que movia para a ação a favor e em contra]]]
Comentem! Vamos criar um diálogo por aqui também sobre as milhares de questões que as relações de gênero nos incita a discutir.

sinopse:
Como seria se seu corpo fosse diferente de como ele é hoje?
"Pra lá e pra cá?" faz esta pergunta e caminha rumo às diferenças anatômicas dos sexos feminino e masculino e descobre que as diferenças vão além do corpo estritamente físico. A biologia dialoga com a cultura em um trânsito permanente. Feminino e masculino são realmente separados? É um pra lá e outro pra cá?
Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões.

A arte da capa é do Fred Hildebrand (ilustrador muito talentoso, criador do mangá Patre Primordium - www.patreprimordium.com - e que nasceu no mesmo dia e maternidade que eu!). A foto é do Tiago Jordão e a diagramação e design digital é da Vanessa Azevedo, ex-vizinha talentosa também e super calma (conseguia quebrar meu stress pré-banca examinadora), que agora mora em Buenos Aires.

Abaixo vai o vídeo, mas se quiserem vê-lo maior vejam pelo http://www.youtube.com/watch?v=OJxQ_M5VINY

26 outubro 2009

Entre a arte e a técnica, dançar é esquecer

Por Thereza Rocha

Suponhamos um término de namoro temperado pelas brigas, mágoas, choros e promessas de – Nunca mais! – de costume. Suponhamos que sigamos o pedido de Eliseth Cardoso na canção, riscando o nome do ser amado do caderno, não suportando mais o inferno daquele amor fracassado. Ao fim de um tempo, o ser outrora amado, será definitiva e resolutamente apagado da memória – quase um defunto. Meses se passarão até que um dia trilhemos um caminhar fresco e novo pela rua andando sobre os passos da vitória. O burburinho dos passantes nos anima, parece combinar com o fôlego renovado de quem triunfou em esquecer. Nesta caminhada campeã, página virada do tal caderno, assim como quem não quer nada, passamos desavisados em frente a uma loja de perfumes e eis que lá de dentro alguém que experimentava o perfume do ser, outrora amado, deixa escapar aquele aroma dos infernos porta afora. É um átimo de segundo para que a pessoa inteira se materialize à nossa frente: a textura da pele, o som da voz, nossa! – eis o fantasma do passado a nos assediar novamente! O corpo não esquece jamais.

Trata-se aqui de um exemplo quase tosco se comparado à beleza e à nobreza das madeleines de Marcel Proust. Mas estamos sim a falar da memória e das lembranças. E de como no corpo, a memória não conhece o passado. A memória só conhece o presente. Do ponto de vista da memória, é sempre hoje, sempre agora. Para uma necessária distinção, aquilo a que comumente chamamos de memórias, receptáculos de passado, serão aqui para nós, chamadas de lembranças. As lembranças são representações do passado; modos como guardamos o passado como tal, como algo que já passou, em um dispositivo a que chamaremos aqui de arquivo, distinto portanto da memória. Pois a memória, segundo nossa perspectiva, é no corpo um motor – um motor de presente – sempre pronta a atualizar a lembrança, tornando-a atual, fazendo dela uma outra, uma outra, uma outra e assim sucessivamente. A memória dá à vida sempre uma nova chance. Do ponto de vista da memória, o passado nunca passou; o passado está sempre a passar, a se modificar. O passado é matéria plástica.

Ao lado da memória voluntária, a que supomos controlar, existe uma outra, tal como nos sugere Proust: a memória involuntária, sempre conjugando dados e acaso, vários dados, de modo quase gratuito, à revelia de nossa vontade e de nosso controle, produzindo assim o tempo – tempo presente – da experiência – tempo sempre a devir. Memória que necessita, entretanto, e paradoxalmente do esquecimento para poder lembrar. O esquecimento como combustível de uma memória sempre a trabalhar. Se lembrássemos tudo, todo o tempo, não nos lembraríamos, na verdade, de nada. É necessário esquecer. É impossível esquecer.

Capítulo 4 do artigo "Entre a arte e a técnica. Dançar é esquecer" de Thereza Rocha, professora do curso de Dança da UniverCidade, doutoranda em artes cênicas na UniRio e professora do curso de pós-gradação em dança da Universidade Católica Dom Bosco.

21 outubro 2009

pausaação


(a inspiração deste post veio da minha amiga Silvia, que o publicou no blog dela, o vertências.)
Cai bem nesta semana de fluxo liberado quase inestancável.

15 outubro 2009

vai saber?

depois do e-mail que recebi nesta madrugada, essa música começou a fazer muito sentido..

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor (...)

("Vai Saber?" - Composição: Adriana Calcanhotto/Interpretação: Marisa Monte)

14 outubro 2009

detetives do rio

ficou finalmente prontinho o vídeo da monografia da minha irmã :]
detetives do rio foi uma ilustração do projeto de pesquisa em educação ambiental que ela realizou no ano passado com crianças brasileiras e bolivianas integrantes do moinho cultural sul-americano (que oferece aulas de artes gratuitamente)
o resto ele fala por si.
as músicas são do grupo "palavra cantada", do álbum "pé com pé" >> o qual ainda sou apaixonada! (o conheci em 2007)
abaixo, vai ele inteirinho.

07 outubro 2009

devastava e fortalecia


"Esse vento chamado Pina Bausch mudou a paisagem do mundo com uma dança que demonstrava que as histórias individuais são sempre compartilhadas. (...)
A brutalidade do estancamento de sua sabedoria nos deixa órfãos de uma leitura de mundo que nos devastava e, ao mesmo tempo, nos fortalecia. Precisamos agora aprender a viver com essa tristeza para, mais adiante, descobrir o que poderá dela brotar."

A frase de Helena Katz - retirada de crítica sobre a temporada da Thanztheater Wuppertal no Brasil (parte usada no título do post) - me chamou pra escrever sobre minha vivência de duas semanas atrás.

Eram dois táxis apertados de sul-mato-grossenses à caminho do Teatro Alfa (SP) por um mesmo motivo: Pina Bausch.
Pela primeira vez ia ver de perto o que era pra mim quase um mito, inalcançável, que só via em vídeos do youtube e ouvia pessoas retratarem a experiência do encontro (alguns eram autoridades no assunto dança) sempre com ótimas referências. Uma unanimidade.
Essa foi a palavra que definia o fato de o Teatro ficar lotado de pessoas que a admiravam durante os cinco dias de apresentação, com ingressos esgotados com alguns meses de antecipação (cerca de 10.000 pessoas). E unanimidade é algo dificil de alcançar quando se trata de dança contemporânea.
Quando "Café Muller" começou - acredito que a obra mais divulgada da Cia - não conseguia relaxar e fruir o momento, a minha relação com a obra que acontecia. Ficava atenta ao que ela representava pra mim, minhas referências anteriores, ao que li das críticas ao seu trabalho..até que por um momento eu esqueci! (e esquecer aqui, significa experienciar)
A personagem de sapatos vermelhos entrou no palco, em ritmo acelerado e leve e aquilo me despertou pro momento presente.
No intervalo me pousei intacta sobre a cadeira digerindo o que havia presenciado. A segunda apresentação teve sabores ainda da primeira e a confusão de aromas me deixou um pouco indigesta. Foram momentos em que pude sentir o quanto o espectador não é passivo >> criava sentidos a todo momento e eram movimentos vigorosos de buscar um entedimento em conexões com minhas experiências anteriores.
Ainda estou digerindo e dançando (nos ensaios) tudo o que vivi naquelas 3h.
Foi a primeira vez que a Cia fazia uma temporada sem sua diretora.
Pina Bausch não estava presente em vida, mas em obra.

Pra conferir a crítica na íntegra clique aqui.

28 setembro 2009

muerta de hambre


"mi cuerpo es mi discurso. Espero que alguien me entienda"
trecho do livro da Fernanda Garcia Lao inteirinho na internet.
Continuando a sessão netbooks clique aqui pra acessar.

22 setembro 2009

poético metafórico

Me disseram: "Você deve ter facilidade pra escrever de maneira poética". Não foi a primeira pessoa que adjetivava assim a minha escrita.
Engraçado que nunca a vi assim e ainda não vejo.
Depois dos comentários fui perceber que realmente o caminho mais fácil pra mim são as metáforas, talvez por desde quando comecei a escrever (infância, adolescência) tentava esconder e botar em códigos o que escrevia, pra ninguém entender, porque meus sentimentos (sempre intensos) eram secretos >> achava que ninguém sentia daquele jeito.
Depois da necessidade (tenho um professor que diz que a criatividade só existe devido à necessidade) virou jeito legal e fácil de escrever.
Quando conheci o conceito de procedimento metafórico do corpo (desenvolvido pela estudiosa de corpo e dança, Lenira Rengel, atualmente professora da UFBA) comecei a pensar se esse estilo veio por uma facilidade de perceber meu corpo como uma coisa viva e que se mexe o tempo todo. Sempre tive problemas com a cristalização diária, a restrição de movimentos que acabam nos alienando. Das experiências corporais a que me permitia, podem ter vindo a facilidade em conectá-las com conceitos abstratos.
Vou tentar escrever mais objetivamente. Mas também vou tentar aprofundar este aspecto poético, metafórico. Quem sabe um dia consiga uni-los e isso também vire dança.