Assim foi com o Francisquito, vendido na padaria Pan Frigo (sim, estou falando desde o Brasil, ni de la frontera son, hacen parte de una ciudad peculiar del pais, Cuiabá, por hacer parte hace muchos y muchos años de la historia de explotación de oro de los portugueses, paulistas y españoles que influenciaron, además de la cultura colonial, el idioma y la manera de ser).
27 janeiro 2012
francisquito
Assim foi com o Francisquito, vendido na padaria Pan Frigo (sim, estou falando desde o Brasil, ni de la frontera son, hacen parte de una ciudad peculiar del pais, Cuiabá, por hacer parte hace muchos y muchos años de la historia de explotación de oro de los portugueses, paulistas y españoles que influenciaron, además de la cultura colonial, el idioma y la manera de ser).
19 janeiro 2012
chama
Entrar nesse buraco da minha pele seria mesmo entrar em buraco sem fundo, sem fundo, com bifurcações e nenhum sentido, com sentido, mas nenhum que me sacia e que demanda sempre mais e mais atenção e nenhuma companhia além do meu próprio umbigo. Era isso, era esse o meu terror, o meu desejo, a minha lascívia. E agora que a ferida está aberta, e agora que o entorno está esvaziado do vazio de que eu preciso, minha pele está pronta pra virar fogo e se transformar em chamas.
Alguém me chama. Alguém me chama?
17 janeiro 2012
ao lote #1
Pena que toda a paixão virou gripe (!) e não consegui aproveitar o último dia de seleção. Parecia que não ia me aguentar em pé e, de fato, não me aguentei.
Uma pena não ter sido selecionada para os laboratórios, mas foi uma oportunidade pra acompanhar mais de perto o trabalho de vocês, por meio das "janelas", dos ensaios abertos, e de outras apresentações.
Parabéns à equipe e bom trabalho!
Luiza Rosa.
18 dezembro 2011
ela era cheia de vida
Ela transbordava vida, ria e cantava, e também brigava, porque ela era cheia de opinião, com algumas eu concordava. Ela sabia ler sinais da vida, na lista telefônica, na televisão, qualquer lugar era lugar para se encontrar com o seu Deus, que lhe sussurrava soluções para os contratempos do dia-a-dia. Ela era generosa, se deixava sentir apaixonada por pequenas coisas, o que a fazia ficar bem pertinho de todo tipo de arte, do canto, da música, gostava de dizer que um dia eu ia escrever um livro. Ainda vou escrever, tia, e vou dedicá-lo a você.
Que bom que fui sobrinha-neta da minha tia Chiquinha. Desta tarde em diante não vou mais conseguir ouvir sua voz. Já estou com saudade, mas feliz por ter sido tocada pelo entusiasmo dela, que me incentivou a seguir tendo sonhos distantes, que ficavam cada vez mais próximos e se transformavam, viraram outros sonhos, e me mantém viva.
24 novembro 2011
travessias de um cartógrafo
23 setembro 2011
18 agosto 2011
18 junho 2011
arquipélagos e corações partidos
Pra realmente haver uma tentativa de desanuviar a montanha de violências que envolve a população de centenas de pessoas que diariamente contribuem para que a Cracolândia continue a existir precisaria de uma ação que envolvesse não só policiais em contato direto com os traficantes e usuários, mas os familiares (deve ter gente que nem tem família ou que fugiu da família por ser ela emanadora de violência ou por medo de retornar depois de algum grande erro que tenha cometido ou por medo admitir fracasso no american dream que a cidade de São Paulo representa pra muita gente no Brasil e na América Latina).
Fato é que muita gente que não tem a ver diretamente com o consumo de drogas, mas que vive ali nessa região, tem sofrido com essa população que invade esse lugar todas as noites.
Deve ser uma cena bem triste.
Pode ser que esteja romantizando (deixando mais pesado do que realmente é).
Mas ver todos os dias gente morando na rua, crianças estateladas no chão embaixo do sol ou nesse vento frio durante o dia, parecendo mortas em vida, é muito foda. Uma situação tão antiga e que, uma opção de amenizar isso, os albergues, são desativados pelo prefeito da cidade, não dá pra entender onde que se quer chegar e se dá pra acreditar em alguma coisa nessa vida ou se tudo são burocracias e instituições públicas recheadas de pessoas que, por colocar prioridade na preservação de suas vidas e confortos, deixam sempre pra segundo plano posicionamentos que podem causar conflitos mas que podem levar para alguma ação que realmente mude alguma coisa.
E isso me faz lembrar que a modernidade, além de todas as coisas boas e ruins e mais ou menos ou indiferentes, trouxe a necessidade da gente se auto-preservar (em outros termos, fez emergir uma política diretamente ligada ao corpo: a biopolítica). Se a gente precisa se auto-preservar, segurança é a menina dos olhos. Em nome da segurança a gente faz e deixa de fazer muita coisa e de repente nos vemos uns bundões sem conseguir sair de uma redoma que a gente cria cotidiana e diariamente. É muito difícil se auto-preservar sem deixar bem clara uma fronteira entre si e essas pessoas que todos os dias se drogam no centro da cidade (eu-eles) - distinções territoriais. Difícil também se auto-preservar provocando conflitos que podem levar a elucidações.
Ao mesmo tempo, como não ficar indignada com alguém que quer se auto-destruir? E mais indignada com quem, para se auto-destruir, coloca em risco a vida de outras pessoas?
Pode ser que seja uma questão de vida, ou de uma questão de morte em vida. Se eu for levar em consideração a frase que um amigo me mandou hoje por e-mail, de que “morte não chega com o fim da vida, mas sim com o fim da vontade de viver”, pode ser que os usuários de craque sejam mesmo mortos-vivos para esse tipo de vida que a gente quer acreditar que é melhor pra se viver.
E não conseguir acreditar que esse tipo de exclusão e esse tipo de cegueira em relação a pequenas ações que poderiam amenizar ou transformar isso tudo me deixa muitas vezes sem vontade de viver.
Mas ser agente e receptora de violência todos os dias me deixa numa situação menos utópica, que me dá pernas pra seguir em alguma direção que não a contemplativa.
Acho que eu alterno morte e vida assim como um pêndulo. Às vezes morta-viva, às vezes viva-viva, porque acredito e desacredito nas coisas como se fossem uma massa una, e é aí que me vejo por uma perspectiva unificante, e é disso que eu falo no começo. Sou por muitas perspectivas e o pêndulo é um erro recorrente. Ou tudo ou nada. E considerar o mais ou menos é continuar a perceber as coisas como se fossem lineares, porque fica no meio do caminho, entre dois pólos. São muitos pólos, uma constelação.
Boto fé na pluralidade sem querer contaminar esse discurso que está influenciado pelas ciências humanas, pela dança, pelas artes, pela minha vivência cotidiana de mulher de classe média, heterossexual, migrante do Mato Grosso do Sul para a cidade de São Paulo, por um sentimento religioso. É guiado por uma paixão, mas que aceita restrições de fluxo contínuo, porque sou fragmento mesmo, a gente é um monte de ilha junto. Perceber as ilhas pela perspectiva do mar (e ser arquipélago só é possível por um mesmo mar que envolve todas as ilhas e que está sempre em movimento) pra mim é perceber uma faísca pra continuar a acreditar na vida e continuar a viver com vida.
Meu partido é do coração partido. Partido em milhares. Cada parte uma parte e também coração.
(partido do coração partido da música, foi uma lembrança ativada pelo post no blog da Camila, que eu nunca deixo de acompanhar)
05 junho 2011
pra virar pássaro
Só precisa tocar a pele de leve ou deixar alguém fazer por você.
Bolinhas vão se disseminar pela superfície lisa.
As penas estão prontas pra nascer.
O próximo passo voou. Na imaginação.
E transformou o pássaro em moça feliz.
Anjo asa a gente.
30 maio 2011
saudade
A saudade me fez viver lembranças e lembrar do abandono e assim, quatro elementos fizeram sentido juntos. Dois por acaso, dois por insistência.
Saudade, memória, lembrança e abandono e quatro interpretações.
Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo - elas podem um dia milagrar de flores.
(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)
Também as latrinas desprezadas que servem para ter grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.
(Eu sou beato em violetas.)
Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!
(O abandono me protege.)
Neste artigo contextualizo a criação coletiva do espetáculo me=morar: o corpo em casa, elaborado pelo Coletivo Corpomancia em uma casa da vila dos ferroviários de Campo Grande (MS), em 2009 e 2010 e transposto para a videodança em 2011, e a relaciono com o paradigma da imunização, categoria criada por Roberto Esposito com o intuito de preencher lacunas deixadas por Foucault nos estudos sobre biopolítica, para tecer uma reflexão sobre tensões políticas contidas nesse movimento, do qual fiz parte. Me=morar... foi buscar num lugar que cheira tradição na cidade de Campo Grande húmus pra criar uma dança articulada à realidade dos intérpretes e criadores, com o objetivo mesmo de experimentar uma dança que não cede à tendência de se deixar coreografar por tradições hegemônicas da dança contemporânea do Brasil, apesar de dialogar com elas, ou de se relacionar verticalmente com uma técnica por adequação. A estratégia foi a de criar coletivamente a partir da interpretação dos cinco sentidos em contato com o ambiente da vila dos ferroviários. A motivação não tinha rosto nem chão, mas tinha limites: dos próprios corpos, da proposta, do coletivo, do que a casa nos oferecia, do valor do financiamento e do tempo. A temática caiu como luva a esse desejo de "apropriação" porque relacionou a memória do corpo com ícones do passado da cidade, para gerar uma continuidade a partir de um comum em ruínas e abandono. Em vez do centro estar no meio do palco, ou no centro econômico do país, esteve no corpo dos dançarinos e em uma rua estreita de paralelepípedos escondida entre as ruas largas, retas e planejadas de asfalto de Campo Grande. Alimentou-se de um passado não para transformá-lo em típico, mas para mostrar que está vivo, em movimento, em transformação permanente, porque abandono é a memória que ainda não soube alinhavar as fragmentações e contradições que nos constitui.
02 maio 2011
fragmental
Escrevi incentivada, dentre outras vivências, pela leitura desse fragmento:
07 abril 2011
solidão, porque a arte pede isso da gente
20 março 2011
velocidade
Lendo, consigo ouvir o sotaque goiano. O enfrentamento das bases instáveis da metrópole e de qualquer que seja o lugar de um migrante, viraram aventura fofa pela cadência e trágica pelo destino que tomam os acontecimentos.
Na cidade de São Paulo
a velocidade desenha as pessoas:
seu rosto lembra outro rosto que não sei lembrar.
Cupido é atropelado nos sinais de trânsito
ou despenca dos arranha-céus se esfacelando na multidão.
Despejado por não ter avalista,
o Amor mora de favores nas transmissões via satélite.
Na galeria paulistana,
A velocidade inventa a felicidade
em desvarios de concreto, vidro e credit cards.
Ela passeia na Paulista envergando um Giorgio Armani
e faz programa de televisão entrevistando celebridades que vão morrer no anonimato.
Na grande São Paulo,
O torvelinho metropolitano
elabora um novo tédio,
que estrangula a novidade segundos depois dela ter nascido.
(Velocidade, Cleyton Boson)
09 março 2011
no meio de dois, só um
03 março 2011
especialistas
- Que calor!
- É, e aqui a gente nem percebe, mas anda pra caramba.
- Nossa, muito calor.
Cidade de especialistas em produzir, a gente (em muitas situações já me sinto contaminada) não ouve o que não quer ouvir. A moldura parece mordaça só que nos próprios ouvidos e nas bocas do outro, alguém.
É cansativo se relacionar com tanta gente o tempo todo. O corpo acaba tendo que selecionar mais pra sobreviver. Tem tanta coisa ruim misturada às coisas boas, e os processamentos são demorados, demora por vezes dias pra digerir que o policial na rua quase mirou seu rosto ao desarmar o bandido da moto ao lado da calçada. Estou começando a entender os fones de ouvido, o gesto blazé, o distanciamento como se fôssemos ilhas. Continuo preferindo pensar nas ilhas pelo ponto de vista do mar.
14 fevereiro 2011
carne barata no mercado
Storyline: Cândido, com sangue nas mãos, dirigiu-se até o açougue do mercado municipal a fim de encontrar, finalmente, seu filho. Previa em mente a surpresa da família ao vê-lo retornar com, além da filha nos braços, uma dinheirama no bolso. – Onde está o bebê?, perguntou ao vendedor, que lhe respondeu: - Estava na barriga da preta que acabou de abortar.
****
Alvo e corpulento, Cândido nunca fora muito de amigos e pulava de trabalho em trabalho, não conseguia ficar muito tempo em um lugar só. O único emprego que o segurou por mais tempo era esse em que trabalhava atualmente: caça-prostituta. Era assim que ele mesmo denominava sua profissão. Na prática, corria atrás de profissionais do sexo que sumiam das casas onde trabalhavam, sem dar satisfação e geralmente devendo para seus donos, ops, empregadores (como se sabe, além de serem exploradas por seus clientes, são extorquidas por seus chefes, por isso as dívidas contínuas e intermináveis.).
O porte físico volumoso e a pouca experiência no exercício do pensar criticamente faziam de Cândido um excelente caçador de prostitutas. Para sua esposa, Clara das Neves, era um trabalho digno, não pensava em pormenores da violência que deveria envolver e, afinal, alguém tinha de fazer esse tipo de serviço, era importante colocar limites a compulsões da carne como as que essas pobres mulheres deveriam sofrer.
Formavam um jovem casal, com as alegrias e dificuldades dos recém-casados. Cândido já estava sendo pressionado pela tia de Clara, a aposentada Mônica, e pelo dono do apartamento onde moravam, para se engajar em algum outro emprego que pagasse os alugueis atrasados e que pusesse comida na mesa da família, que logo logo iria crescer – Clara estava para dar a luz a uma menina.
Cada vez menos prostitutas fugiam de seus empregos e cada vez mais caçadores de prostitutas surgiam na cidade. A concorrência aumentava e a renda mensal e honra masculina de Cândido diminuíam. Sua filha nasceu, mas a dificuldade em pagar qualquer coisa levou à família optar por deixá-la em um orfanato, um destino melhor que a fome.
No caminho ao orfanato, no início da manhã, Cândido recebe uma ligação: era um empresário dizendo que uma de suas melhores trabalhadoras havia fugido.
- Uma mulata de quase dois metros de altura.
Confiando na força e agilidade de Cândido o empresário lhe prometeu o dobro do que geralmente pagava para incentivá-lo a resolver com urgência aquele problema.
Cândido foi até o mercado municipal, próximo ao centro da cidade, onde desconfiava que ela poderia se abrigar e ficou observando o local durante longas horas. No final da tarde não conseguia nem desconfiar o paradeiro da mulher que o empresário descrevera por telefone. Murmurou para si e para o bebê em seus braços que o destino não queria que ele fosse mesmo um pai e se dirigiu a caminho do orfanato, o destino que havia programado quando saiu de casa pela manhã.
Saindo do mercado, em um corredor de barracas, avistou um vulto escorado em um balcão que logo desapareceu. Era ela! A mulata de dois metros que ele ouvira no telefone.
Deixou rapidamente sua filha em uma barraca próxima, pediu para o vendedor olhá-la enquanto resolvia um problema. Pegou a corda que levava no bolso da calça e disparou a caçar. A mulata percebeu que ela era o alvo daquele rinoceronte descontrolado e correu. Correu, se espreitou, mas sua agilidade estava comprometida pelo bebê que carregava na barriga. Demoradas duas horas, foi laçada pelo caçador e levada ao empresário, não sem se debater e xingar muito.
Enquanto esperava o empresário chegar para apanhá-la, o bebê não resistiu. O sangramento não estancava entre suas pernas, sentiu seu filho sair, não havia choro, ele estava morto. Cândido recebeu a gratificação e voltou contente à barraca onde havia deixado sua filha pensando:
– Graças a Deus que a puta fugiu, que tenho esses braços fortes e essa fúria no peito.
Já quase pulando no pescoço do vendedor ao sentir a ausência do bebê no balcão onde houvera deixado, Cândido perguntou:
- Onde está o bebê?
Foi então que o vendedor lhe respondeu com a raiva entre os dentes:
Estava na barriga da preta que acabou de abortar! Você acabou com a única chance que aquela coitada tinha de realizar o sonho de ser mãe e livre. Olho por olho, dente por dente, camarada. O que fizeste com o filho da outra o fiz com o teu.
Luiza Rosa
(para o curso literatura e cinema: intersecções - Memorial da América Latina)
13 fevereiro 2011
06 dezembro 2010
01 dezembro 2010
carta
Queria dizer que foi tudo mto bem hj na facul. A apresentação foi tranquila, uma professora deu uns toques legais, mas o mais gostoso de tudo foi a sensação de ter amigos naquele curso. A tchurminha formou uma plateia simpática, sorrindo e desejando que todo mundo se desse muito bem. Não precisei nem de mãe, nem de pai, nem de nada doce pra me acompanhar a insegurança. Desde o abraço de oi, o aconchego de perguntas sobre citações na ABNT, de olhares cansados e à vontade ao chão, alternando o uso da tomada. Não tinha sensação de competição que fosse mais relevante que aquele calorzinho de solidariedade que de repente surgiu entre as pessoas daquela turma que conseguiu amansar um auditório e algumas dúvidas, querendo compartilhar alguma alegria tímida de estar fazendo o que gosta apesar disso significar às vezes, invariavelmente, esperar muito.
Um privilégio!
15 novembro 2010
"quando briga passa dias lamentando o episódio"
17 outubro 2010
quando os dentes se encaixam
13 outubro 2010
em você, em mim
Trilha sonora: "Fidelity" (Regina Spektor)
Confeccionado por mim. Inspirado e dedicado a K.A.
30 setembro 2010
28 setembro 2010
26 setembro 2010
enxurrada
22 setembro 2010
observação
01 setembro 2010
a vingança da cultura
03 agosto 2010
carta crítica
03 julho 2010
em fluxo
De novo o fluxo por dentro era bem mais liberado que o de fora.
Uma hora e meia e os arquivos ainda não haviam sido transferidos da rede pro meu computador. E se minha vontade fizesse acelerar? Acelerou só meu metabolismo, que se expressava em cortes temporários de respiração, seguidos de respiração longa, solitária.
Meu almoço, uma esfiha de carne com conversa sobre a arte contemporânea de um pelego, ganhei de presente de uma companhia educada de olhar agudo, interrogafirmativo.
Os segundos pareciam deslizar. Não gotejaram nem um segundo e a baba grossa de tanta informação deslizante, escorreu, mas não deixei fazer com que me tirasse a noção de que cada coisa tem seu lugar, e as pessoas contam com a consciência disso, de minha parte.
O trânsito não estancou tanto quanto a transferência de arquivos, nem conseguiu me tirar do sério tanto quanto onde queria me fazer de forte ao lado da desfuncionária. “Silêncio, por favor...” foi o que me salvou. “Quis amar, mas tive medo...” também foi uma alternativa que aliviou e foi fácil parar em casa, pegar o irmão e descer meia quadra antes do lugar onde deveria estar quinze minutos antes de atravessar aquela esquina em que as pessoas esquecem a função das setas do carro.
Pela primeira vez me sentia à vontade em dizer o que me vinha à mente na frente de uma de minhas mentoras. Realmente o risco já não atormentava, afinal é daí que parte meus estímulos de pesquisa, de busca por entendimentos, estabelecimento de conexões. Minhas tradições, preconceitos. Também sou uma colcha de retalhos e todos os dias as conexões são refeitas, desfeitas, ficam um tempinho descansado em algum outro recipiente, que podia aliviar, mas às vezes não alivia.
O café e a miopia fizeram daquele momento mais especial como quando uma foto é mais interessante pelo desfoco que acentua o foco de um curto espaço daquele todo.
Voltei animada, pronta pra mais uma etapa do dia, que terminava pro movimento da Terra, mas não para o meu.
23 junho 2010
Mundo frágil
29 maio 2010
numa noite de inverno..
02 maio 2010
do sofrido ao soft
Por ter, coincidentemente, assistido a esses dois videoclipes, um seguido do outro, percebi que, nos dois, os cantores conversam com um boneco, ao dizerem sobre a pessoa que amam. É... quando distante, o jeito é falar com representações.
"Crave" é ícone da minha adolescência, em que ficava sabendo das músicas de sucesso das baladinhas campo-grandenses, quando minha irmã (mais velha que eu) chegava em casa descrevendo as festas que ainda não podia ir.
"Fidelity" é fofa, como é os ambientes leves que ando percebendo em vários aspectos. Conheci por uma amizade nova, taurino como eu, e que me abriu horizontes audiovisuais e profissionais, ao dizer delicadamente com suas ações cotidianas: é possível, sim, ser um ser humano em uma instituição pública e não só mais uma peça da burocracia.
Abaixo vão os dois videoclipes, do sofrido ao soft, os extremos que vêm desenhando meu corpo esses tempos.
10 abril 2010
cristais de tempo
08 abril 2010
22 março 2010
Out.ono

12 março 2010
Let me sing you a waltz

03 março 2010
palavra como isca
04 fevereiro 2010
possibilidades narrativas

01 fevereiro 2010
Ela
23 janeiro 2010
experiência
entre a precaução e a ousadia


